‘Papai Noel, o meu maior sonho é ganhar um rim novo’, pede menino de 6 anos

Em diferentes formatos de letras e cores, as linhas escritas carregam não apenas um pedido de presente, mas, principalmente, histórias de vida. Endereçadas ao “bom velhinho”, cada uma das cerca de 11 mil cartas recolhidas pelo projeto “Papai Noel dos Correios”, em Belém, tem a capacidade de emocionar.

Organizadas em grandes cestas que ficam disponíveis na agência central dos Correios, na avenida Presidente Vargas, as cartas enviadas por crianças de escolas públicas fazem os mais variados pedidos, que vão desde uma simples mochila até um presente que depende de um grande ato de generosidade de pessoas desconhecidas.

Em uma das cartas que chegaram aos Correios neste ano, o pedido pretende alcançar o coração de famílias que, mesmo diante de um momento muito difícil, têm a possibilidade de salvar outras vidas. Com apenas 6 anos, o estudante Eduardo pede ao Papai Noel que chegue o mais rápido possível o rim que ele aguarda na fila do transplante desde o dia 28 de julho deste ano.

Paciente renal crônico, a criança conta que precisa fazer hemodiálise constantemente e que a rotina de cuidados com a saúde só lhe permite ir ao colégio duas vezes por semana. “Por isso, Papai Noel, o meu maior sonho é ganhar um rim novo. Peço muitas orações para que Deus abençoe um doador generoso”, escreve.

Enquanto sua maior realização não chega, o menino faz outro pedido ao ‘bom velhinho’. “Neste Natal, ficarei mais feliz se eu ganhar uma bicicleta ou um tablet”. Mobilizada pelo pedido, Stefania Diocesano, 32 anos, iniciou uma campanha pelos grupos de bate-papo para tentar realizar ao menos parte dos desejos da criança. Através da doação do amigo Thiago Brito, ela poderá garantir um Natal mais feliz para o estudante. “O tablet em si não é o mais importante, mas a possibilidade de proporcionar uma coisa que poderá distrair a mente de uma criança é o melhor de tudo”, comemora, emocionada.

Stefania é funcionária dos Correios e voluntária no projeto. Ela conta que, ao longo do trabalho desenvolvido no ‘Papai Noel dos Correios’ desde o ano passado, muitas cartas emocionantes já foram lidas – como a de um menino que pediu uma fatia de bolo recheado ou de outro que pediu um carrinho com rodas já que, até então, só havia podido ganhar um carrinho sem rodas -, mas a de Eduardo mexeu com ela de maneira especial. “Essa carta nos mostra que há problemas muito maiores do que os que nós achamos que temos”.

O pedido da estudante Aylla, 13 anos, também espera por um fim feliz. Na carta, ela conta ao Papai Noel que apresenta uma ‘doença neurológica progressiva’ que faz com que passe a maior parte do tempo deitada. Diante da necessidade de sentar, ela faz o seu pedido de Natal. “Nesse momento, aproveito a oportunidade para pedir uma cadeira de rodas adaptada para o meu tamanho e necessidade”. Esta carta é uma das que estão disponíveis para adoção nos Correios.

Outras cartas que ainda esperam por padrinhos trazem uma quantidade considerável de pedidos de bonecas e carrinhos. Nenhum presente aparece de forma tão frequente quanto itens de material escolar. Aos 9 anos, Nicole pede uma mochila. “Eu gosto muito de estudar e a minha matéria preferida é português porque tem textos e eu gosto muito de ler”, escreve.

CARTAS DISPONÍVEIS NOS CORREIOS E NA INTERNET

As cartas arrecadadas pela campanha ‘Papai Noel dos Correios’ em Belém seguem acessíveis para apadrinhamento até o dia 15 de dezembro. Os montes de cartas estão disponíveis na agência central dos Correios. A novidade deste ano é que elas também podem ser adotadas por meio da internet.

Coordenadora da campanha, Ana Leite explica que a logística para a arrecadação das cartas inicia ainda em agosto, quando as secretarias de educação informam aos Correios quais serão as escolas participantes. Definido isso, os estudantes dos colégios contemplados escrevem as cartinhas que, posteriormente, são encaminhadas ao órgão. “As cartas são cadastradas e, quando os padrinhos adotam, temos um controle de quem adotou e, depois, dos presentes que são entregues”, explica.

A adoção pode ser feita diretamente na agência. Após a escolha da carta e o cadastro, os presentes devem ser entregues também na agência. Quem preferir adotar uma carta pela internet pode acessar o site https://blog.correios.com.br/papainoeldoscorreios/, escolher as cartas disponíveis e fazer o cadastro. Na internet, é possível adotar no máximo cinco cartas e, do mesmo jeito, a entrega dos presentes deve ser realizada na agência central dos Correios.

“As cartas são cadastradas e, quando os padrinhos adotam, temos um controle de quem adotou e, depois, dos presentes que são entregues”, afirma Ana Leite, Coordenadora da Campanha. (Foto: Maurol Ângelo/Diário do Pará)

ENTREGA

Ana Leite informa que, após o período de adoção, é feita a triagem dos presentes e as entregas estão agendadas para ocorrer nos dias 20, 21 e 22 de dezembro nas próprias escolas das crianças. “É o momento em que o Papai Noel vai e entrega os presentes que elas pediram”, conta.

CAMPANHA

A campanha “Papai Noel dos Correios” iniciou por meio da iniciativa dos funcionários instituição.  Como, na época do Natal, o órgão recebia muitas cartas de crianças endereçadas ao Polo Norte, os funcionários dos Correios começaram a adotá-las e proporcionar os presentes pedidos às crianças.

A iniciativa dos funcionários foi “abraçada” pelos Correios e há 28 anos existe de forma institucionalizada.

(Cintia Magno/Diário do Pará)

marciovieira Autor

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